Nascida em Juiz de Fora – Minas Gerais.
Seu interesse pela palavra, falada e escrita, manifestou-se cedo: ainda no 2º grau do Colégio Sacre-Coeur de Marie criou um jornalzinho “O Abelhudo” (à época clandestino), que circulava em todos os cursos; ao final do curso, por eleição, foi a oradora das turmas do ano. Ao final do 3° ano de Letras Neolatinas, por indicação do Prof. Roberto Alvim Corrêa (Literatura Francesa) recebeu Bolsa de Estudos para Paris, concedida pela Adida Cultural Mme. Gabrielle Mineur. Não foi porque estava de casamento marcado para o mês seguinte… Oradora novamente, agora por concurso público com um representante eleito de cada curso, dos formandos da Faculdade de Filosofia da PUC-RJ.
Completou sua formação fazendo a seguir Orientação Educacional e Psicologia.
Atividades Profissionais:
Montou com o marido, também professor, um colégio de 1°/2° graus, do qual seria Diretora. (Uma das mais jovens diretoras já aprovadas pelo MEC: tinha então 20 anos). Daí passaria gradativamente ao campo da cultura através de ensaios, artigos, resenhas e traduções (1962 – 1970). São também desta época suas primeiras peças, que receberiam estimulantes premiações (ver adiante).
• A publicação de seu primeiro livro, Teatro em tempo de síntese, em 1971, resultou em 2 convites – além de um generoso prefácio do crítico Sábato Magaldi, pois o livro, apesar de vir publicado pela Ed. Paz e Terra (RJ), fora também aprovado pela Ed. Perspectiva (SP). O primeiro convite foi do Prof. Eduardo Portela, para ser membro Técnico da Comissão Estadual de Teatro (CET) do Conselho Estadual da Cultura do Rio de Janeiro, com a responsabilidade de emitir pareceres sobre os projetos que poderiam (ou não) receber patrocínio do Estado (1971-74); o segundo, do Prof. Gilson Amado, para realizar uma pesquisa sobre “Os efeitos da TV sobre as crianças” (que viria a chamar de “Projeto Lobato”). Foi quando ficou sabendo que toda e qualquer contratação sua para órgãos oficiais seria vetada pelo SNI da ditadura militar, que só “toleraria” as que fossem feitas “sem vínculo empregatício”, devido a sua ficha política comprometida com o movimento estudantil e operário.
• Em 1974, a convite de Orlando Miranda, que fora nomeado Presidente do SNT – Serviço Nacional de Teatro, tornou-se um de seus assessores, ficando responsável pela elaboração da política teatral e supervisão / avaliação de sua prática nas áreas de Teatro Experimental, Universitário, Infantil e Amador em todo o país.
Na mesma época, substituindo Luiz Mendonça na direção do Teatro Operário de São Cristovão, iniciou, por conta própria, uma pesquisa de dramaturgia popular, que viria a resultar no livro Teatro Popular – uma experiência , e nas peças Pedro Malasartes e A Máquina.
A convite de Paulo Afonso Grisoli, então Secretário de Cultura, passou também a integrar a equipe de “especialistas” (consultores) do Departamento de Cultura do Estado do Rio de Janeiro (1967-77).
A ordem do SNI de que fosse afastada da Federação Nacional de Teatro Amador (FENATA), que criara, organizando os mais de 800 grupos teatrais de todo o país em representações estaduais eleitas, e o fato de não concordar com a desclassificação da peça Patética , de João R. Chaves Neto, no concurso que lhe foi então dado coordenar, levaram-na a pedir demissão do SNT.
Desempregada, intensificou suas atividades de free-lance , que já desenvolvia de forma paralela ou secundária: seminários, palestras, debates, participação em grupos de trabalho (Ex: Projeto SINEG – para definir a posição e conteúdos da Educação Artistica, recém-criada, no currículo escolar); ou em júris de concursos; ou de tradutora (sobretudo para a Ed. Civilização Brasileira); alem de consultorias diversas (Mobral Cultural, FUNTERJ).
É desta época sua Pesquisa sobre Teatro de Revista, resultante de Bolsa à qual se candidatou, sob o patrocínio do CNDA – Conselho Nacional do Direito Autoral, e da FUNARTE (1977-78).
Em 1979, comunicando-lhe que “a abertura lenta, gradual, etc.” de que se falava já permitia sua contratação, o Prof. Gilson Amado novamente a convida para dirigir uma das quatro áreas em que dividira a programação da agora Fundação Nacional de TV-Educativa (FUNTEVE): assumiu assim a Gerência da Área Infanto-Juvenil, ficando responsável pela criação, supervisão da produção e avaliação de 9 programas para a faixa de 3 a 18 anos (1979 – 1984).
Na mesma época, a convite do Prof. Márcio Tavares do Amaral, torna-se Consultora da Coordenadoria de Estudos e Pesquisas da Secretaria de Assuntos Culturais (SEAC) do Ministério da Educação e Cultura, para assessoramento e supervisão de 12 pesquisas patrocinadas pela SEAC em todo o Brasil (1979-82).
Mas a “abertura” novamente se fecha: o novo Presidente da FUNTEVE, Prof. Cláudio Figueiredo, acaba como o sistema de Gerências, e transfere-a para a Assessoria de Planejamento da Presidência da Fundação (1984) de onde seria a seguir demitida, ao assumir o Ministério da Educação a Prof. Ester Ferraz, famosa por suas idéias “conservadoras”. Guardou apenas a alegria de ver os dois maiores críticos de TV da época, Artur da Távola e Mª Helena Dutra, lamentarem encerrar-se assim uma programação que “pela primeira – e talvez única – respeitava a criança, com um excelente nível e qualidade”.
Por razões óbvias, afastou-se então de qualquer trabalho em área oficial, tornando-se, a convite de Rodrigo Farias Lima, Pesquisadora para a Associação Carioca de Empresários Teatrais ACET (1985-86) e Assessora de Projetos Culturais no SESC Nacional.
Ao mesmo tempo, por iniciativa própria, passou a desenvolver, na favela da Mangueira, nova pesquisa de dramaturgia popular, para a qual buscou e obteve uma bolsa do CNPq. Desse trabalho resultaria o livro Teatro-Espelho e Resposta, e a peça Mangueira é , que obteria o Prêmio de Melhor Texto no Festival de Teatro do Rio de Janeiro (1988) e em Guanajuato, México.
Em 1987, a convite de Francisco Milani, passou a dirigir o Departamento de Artes Cênicas e Ação Comunitária do RioArte, da Secretaria Municipal de Cultura, onde ficaria até a saída de Milani, em 89. Escrevendo sempre, entre as obras desta fase estão De Histórias e Lendas , premiada no Concurso de Peças Radiofônicas da Fundação Konrad Adenauer e levada em duas redes alemãs, a Westdeutscherrundfunk e a Deutschwelle, e 2ª versão da peça Represa , que fora premiada em 65, proibida pela Censura para todo o território nacional e agora, novamente premiada, seria – ironias da sorte – publicada pelo INACEN - Instituto Nacional de Artes Cênicas, órgão do Ministério da Cultura que substituiu o SNT.
De 1988 a nossos dias, como free-lance r criou e passou a coordenar o Projeto Ana Magnani, destinado a pesquisar, incentivar, divulgar e/ou questionar as formas de expressão e manifestação da Mulher das mais diferentes classes, religiões e áreas de formação, bem como as relações de gênero – espelho das relações sociais em geral. Este Projeto realizou já 32 eventos e/ou atividades, resultando também em alguns livros e peças.
De 1991-1994, foi Diretora eleita da Revista de Teatro SBAT (Sociedade Brasileira de Autores Teatrais) abrindo seu intercâmbio com 38 países.
Além dessas atividades mais permanentes, desenvolveu uma série de outras secundárias e/ou temporárias entre as quais estariam as de Consultora ao Exterior (Universidade da Califórnia, Univ. de Buenos Aires, Univ. de Roma, Univ. de Viena); de Coordenadora de Projetos em Teatro e/ou Cultura (Procultura, Proj. Mutirão, Interiorização Cultural etc.); de Conferencista / Debatedora em seminários, festivais, mesas-redondas, encontros, etc; de membro do Conselho Editorial das Revistas Civilização Brasileira , Paz e Terra e Encontros com a Civilização ; de Tradutora ( 4 línguas) para diferentes editoras do RJ e SP; da colaboradora em Jornais ( coluna semanal em O Dia e artigos em vários outros do país).
Além das premiações adiante citadas, que representam um estimulo permanente, considera D istinções que lhe deram muita alegria o fato de que os cargos que exerceu – e que foram sempre de Direção, Consultoria ou Assessoria – terem sempre vindo a convite, em crédito de confiança à sua capacidade profissional; como também ter sido a convite a longa lista de participações como conferencista, debatedora, membro de júri, coordenadora de seminários, congressos em diferentes estados do Brasil e no exterior (México, Peru, Bolívia, Itália, Cuba, USA, Alemanha, Portugal).
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